Protocolo de Tratamento Conservador para Impacto Femoroacetabular (IFA)
Dr. David Gusmão
Programa de Fisioterapia e Exercícios Baseado em Evidências para Evitar ou Adiar Cirurgia
Taxa de Sucesso: 70-82% dos pacientes evitam cirurgia | Atualizado: Janeiro 2026 (*vide bibliografia)
Resumo
O que é o Impacto Femoroacetabular (IFA)?
O Impacto Femoroacetabular (IFA), também conhecido como Femoroacetabular Impingement Syndrome (FAIS), é uma condição do quadril caracterizada por contato anormal entre o fêmur (osso da coxa) e o acetábulo (cavidade do quadril) durante o movimento.
Sintomas principais:
Dor na virilha ou região anterior do quadril
Dor ao sentar por períodos prolongados
Limitação de movimento, especialmente em flexão e rotação
Sensação de travamento ou clique no quadril
Dificuldade em atividades que exigem flexão profunda do quadril
Por que o Tratamento Conservador?
Evidências científicas demonstram:
✓ 70-82% dos pacientes respondem ao tratamento conservador e evitam cirurgia
✓ Melhora significativa na dor e função após 8-12 semanas
✓ Tratamento conservador é primeira linha recomendada antes de considerar cirurgia
✓ Mesmo quem necessita cirurgia posteriormente tem melhores resultados após fisioterapia pré-operatória
Na prática clínica, a maioria dos pacientes com impacto fêmoroacetabular sintomático não apresenta necessidade absoluta de tratamento cirúrgico imediato. O manejo mais correto, seguro e alinhado com os princípios da preservação articular é iniciar por um tratamento conservador bem estruturado, individualizado e conduzido por profissionais com experiência em quadril. Esse protocolo envolve educação do paciente, ajustes de carga e movimento, fisioterapia específica para controle lombo-pélvico e muscular do quadril, além de estratégias para modulação da dor e da inflamação. Em muitos casos, esse conjunto de medidas é suficiente para controlar os sintomas e permitir uma vida ativa sem cirurgia.
No entanto, o acompanhamento médico criterioso é fundamental, pois o impacto fêmoroacetabular é uma condição potencialmente progressiva. Existem situações em que o tratamento conservador deixa de ser suficiente e o tratamento cirúrgico preservador passa a ser considerado de forma mais precoce. Entre os principais sinais de alerta (red flags) estão:
Dor persistente e limitante, apesar de um tratamento conservador bem conduzido
Perda progressiva da função do quadril e dificuldade para atividades do dia a dia ou esportivas
Dor mecânica típica, desencadeada por flexão e rotação do quadril
Evidência de lesão labral significativa ou dano condral nos exames de imagem
Episódios recorrentes de travamento, falseio ou sensação de bloqueio articular
A proposta deste protocolo é justamente tratar de forma conservadora quando é possível e indicar cirurgia apenas quando é realmente necessário, no momento certo. Essa abordagem busca preservar a articulação do quadril, evitar intervenções desnecessárias e, ao mesmo tempo, não perder a janela ideal para um tratamento cirúrgico eficaz quando ele se mostra a melhor opção.
Quem Pode Fazer Este Tratamento Conservador? {#quem-pode-fazer}
Candidatos Ideais
✓ Diagnóstico de IFA leve a moderado (ângulo alfa menor que 60°)
✓ Sintomas há menos de 12 meses
✓ Ausência de osteoartrose avançada do quadril
✓ Sem lesão labral extensa ou instável
✓ Motivação para aderir a programa de exercícios por 12-16 semanas
✓ Dor que não impede completamente atividades diárias
Quando NÃO é Recomendado (Considerar Cirurgia Diretamente)
✗ Osteoartrose avançada do quadril (Tönnis grau 3 ou maior)
✗ Lesão labral extensa com sintomas mecânicos (travamento frequente)
✗ Bloqueio mecânico do quadril
✗ Sintomas incapacitantes que impedem trabalho ou atividades essenciais
✗ Falha prévia de tratamento conservador bem conduzido
5 Componentes Essenciais do Tratamento Conservador {#componentes-tratamento}
1. Avaliação Profissional Detalhada
Consulta com fisioterapeuta especializado em quadril para:
Avaliação completa da amplitude de movimento
Testes de força muscular bilateral
Avaliação do controle neuromuscular
Identificação de fatores contribuintes
2. Educação e Modificação de Atividades
Atividades a EVITAR temporariamente:
Agachamentos profundos (flexão maior que 90°)
Posição de lotus ou pernas cruzadas no chão
Corrida ou atividades de alto impacto
Sentar por mais de 45-60 minutos sem intervalo
Movimentos de flexão extrema com rotação interna do quadril
Alongamentos de flexão pura de quadril ou de flexão com adução
Atividades PERMITIDAS e recomendadas:
Caminhada em superfície plana
Natação (crawl e costas, evitar nado de peito)
Ciclismo com banco elevado
Exercícios em piscina/hidroterapia
Alongamentos suaves
3. Controle da Dor e Inflamação
Aplicação de gelo: 15-20 minutos, 3-4 vezes ao dia
Anti-inflamatórios não-esteroides (sob prescrição médica - apenas quando absolutamente necessário)
Laserterapia de baixa potência
Terapia manual (mobilização articular suave)
4. Programa de Exercícios Progressivo (ESSENCIAL)
O componente MAIS IMPORTANTE do tratamento. Deve incluir:
Fortalecimento do quadril: glúteos, rotadores, abdutores
Estabilização do core: transverso do abdômen, multífidos
Controle neuromuscular: exercícios de equilíbrio e propriocepção
Frequência mínima: 2-3 sessões por semana por 12 semanas
5. Monitoramento e Progressão
Reavaliações semanais nas primeiras 4 semanas
Ajustes baseados na resposta individual
Progressão gradual da intensidade dos exercícios
Uso de escalas validadas (iHOT-33, HOS, EVA para dor)
Fase 1: Controle de Sintomas e Ativação Muscular Básica {#fase-1}
Duração: Semanas 0-4
Frequência: 2-3 sessões supervisionadas/semana + exercícios diários em casa
Objetivos da Fase 1
Reduzir dor para níveis toleráveis (menos de 3/10)
Controlar inflamação e edema
Estabelecer padrão adequado de ativação dos glúteos
Iniciar fortalecimento básico sem dor
Educar sobre modificações de atividade
Exercícios da Fase 1
Exercício 1: Ponte Glútea (Glute Bridge)
Como fazer:
Deite de costas com joelhos flexionados, pés apoiados no chão na largura dos quadris
Contraia o abdômen e glúteos
Eleve o quadril até formar linha reta entre joelhos, quadril e ombros
Mantenha por 5 segundos, focando na contração dos glúteos
Desça controladamente
Dose: 3 séries × 15 repetições, 2×/dia
Dica: Não arquear demais a lombar. Foco na contração glútea, não nos isquiotibiais.
Exercício 2: Concha (Clamshell)
Como fazer:
Deite de lado com joelhos flexionados a 45°, pés juntos
Mantenha os pés unidos
Abra o joelho superior como uma concha se abrindo
Não deixe o quadril rolar para trás
Retorne controladamente
Dose: 3 séries × 15-20 repetições cada lado, 2×/dia
Músculos trabalhados: Glúteo médio (crucial para estabilidade do quadril)
Exercício 3: Abdução de Quadril Deitado de Lado
Como fazer:
Deite de lado, perna de baixo levemente flexionada para equilíbrio
Perna de cima estendida e alinhada com o corpo
Levante a perna superior 30-45 cm, mantendo o pé apontando para frente
Não deixe o quadril rolar para trás
Desça controladamente
Dose: 3 séries × 12-15 repetições cada lado
Exercício 4: Inclinação Pélvica (Pelvic Tilt)
Como fazer:
Deite de costas, joelhos flexionados
Contraia o transverso do abdômen (puxe umbigo em direção à coluna)
Achate a região lombar contra o chão
Mantenha por 5-10 segundos respirando normalmente
Relaxe
Dose: 3 séries × 10 repetições, mantendo 5-10 segundos
Objetivo: Ativar musculatura profunda do core
Exercício 5: Bird Dog (Nível Inicial)
Como fazer:
Posição de quatro apoios (mãos e joelhos)
Mantenha coluna neutra
Estenda braço direito e perna esquerda simultaneamente
Mantenha por 5 segundos
Retorne e alterne os lados
Dose: 3 séries × 8-10 repetições cada lado
Foco: Estabilidade, não velocidade
Exercício 6: Alongamento de Flexores do Quadril
Como fazer:
Posição de joelho no chão (ajoelhado), perna da frente com joelho a 90°
Mantenha coluna ereta
Desloque o quadril para frente até sentir alongamento na frente do quadril da perna de trás
Não arquear a lombar
Mantenha a posição
Dose: 3 repetições × 30 segundos cada lado, 2×/dia
Exercício 7: Alongamento de Isquiotibiais
Como fazer:
Deite de costas
Leve uma perna em direção ao peito
Estenda o joelho até sentir alongamento na parte de trás da coxa
Mantenha o joelho o mais reto possível
Outra perna pode ficar estendida no chão ou com joelho flexionado
Dose: 3 repetições × 30 segundos cada lado
Atividade Cardiovascular na Fase 1
Bicicleta ergométrica: 10-15 minutos, banco alto, resistência mínima, diariamente
Caminhada em piscina: 15-20 minutos se disponível
Caminhada leve em terreno plano: 10-15 minutos se tolerado
Critérios para Avançar para Fase 2
Você pode progredir para a Fase 2 quando conseguir:
✓ Realizar todos os exercícios da Fase 1 sem dor (máximo 2/10)
✓ Dor controlada nas atividades diárias (menos de 3/10)
✓ Sentir contração adequada dos glúteos nos exercícios
✓ Completar 4 semanas de treino consistente
✓ Redução de pelo menos 30% na dor inicial
Fase 2: Fortalecimento Progressivo e Controle Motor {#fase-2}
Duração: Semanas 4-8
Frequência: 2 sessões supervisionadas/semana + 3-4 sessões em casa
Objetivos da Fase 2
Aumentar progressivamente a força muscular do quadril
Desenvolver controle neuromuscular em exercícios dinâmicos
Melhorar estabilidade lombopélvica (core)
Iniciar exercícios em cadeia fechada (com apoio do peso corporal)
Preparar para atividades funcionais mais complexas
Exercícios da Fase 2 (Adicionais aos da Fase 1)
Exercício 8: Ponte Unipodal (Single Leg Bridge)
Como fazer:
Mesma posição da ponte comum
Estenda uma perna para cima
Eleve o quadril usando apenas a perna apoiada
Mantenha quadril nivelado (não deixe cair para um lado)
Desça controladamente
Dose: 3 séries × 10-12 repetições cada lado
Progressão: Da ponte bilateral para unipodal
Exercício 9: Abdução em Pé com Faixa Elástica
Como fazer:
Coloque faixa elástica ao redor dos tornozelos
Apoie-se em uma parede ou cadeira se necessário
Mantenha perna de apoio levemente flexionada
Abra a outra perna lateralmente contra a resistência da faixa
Controle o retorno
Não deixe o tronco inclinar para o lado
Dose: 3 séries × 15 repetições cada lado
Exercício 10: Extensão de Quadril em Pé
Como fazer:
Com faixa elástica amarrada ao tornozelo e ponto fixo
Apoie-se em algo firme
Estenda a perna para trás mantendo joelho reto
NÃO arquear a lombar - movimento vem do quadril
Contraia glúteo ao máximo
Dose: 3 séries × 12-15 repetições cada lado
Exercício 11: Monster Walk (Caminhada do Monstro)
Como fazer:
Faixa elástica acima dos joelhos ou tornozelos
Posição de mini-agachamento (joelhos levemente flexionados)
Caminhe lateralmente mantendo tensão na faixa
Não deixe joelhos colapsarem para dentro
Mantenha postura ereta
Dose: 3 séries × 10 passos para cada direção
Exercício 12: Mini-Agachamento (Quarter Squat)
Como fazer:
Pés na largura dos ombros
Desça APENAS até 45-60° de flexão dos joelhos
Mantenha joelhos alinhados com os pés (não deixe cair para dentro)
Peso nos calcanhares
Peito para cima, olhar para frente
Suba contraindo glúteos
Dose: 3 séries × 12-15 repetições
IMPORTANTE: NÃO desça mais que 60° nesta fase para não irritar o quadril
Exercício 13: Split Squat (Agachamento Dividido)
Como fazer:
Uma perna à frente, outra atrás (posição de passada)
Desça flexionando ambos os joelhos
Joelho de trás vai em direção ao chão
Joelho da frente não ultrapassa muito a ponta do pé
Mantenha tronco ereto
Suba empurrando com perna da frente
Dose: 3 séries × 10-12 repetições cada lado
Benefício: Excelente para treinar quadril e joelho com mais controle que agachamento bilateral
Exercício 14: Descida de Degrau (Step Down)
Como fazer:
Fique em pé em degrau baixo (10-15 cm)
Desça tocando o calcanhar da outra perna no chão
Controle excêntrico (desça devagar, 3 segundos)
Não deixe joelho cair para dentro
Volte à posição inicial
Dose: 3 séries × 10 repetições cada lado
Foco: Controle e estabilidade, não velocidade
Exercício 15: Prancha Frontal (Front Plank)
Como fazer:
Apoie-se nos antebraços e pontas dos pés
Corpo forma linha reta da cabeça aos pés
Não deixe quadril cair ou subir demais
Contraia abdômen e glúteos
Respire normalmente
Dose: 3 séries × 30-60 segundos
Progressão: Aumente o tempo gradualmente
Exercício 16: Prancha Lateral (Side Plank)
Como fazer:
Deite de lado, apoio no antebraço
Eleve quadril formando linha reta
Pode começar com joelhos apoiados (mais fácil)
Progressão: pernas estendidas
Progressão avançada: levantar perna de cima
Dose: 3 séries × 20-40 segundos cada lado
Exercício 17: Dead Bug (Inseto Morto)
Como fazer:
Deite de costas, braços estendidos para cima
Joelhos e quadris a 90°
Estenda braço direito sobre cabeça enquanto estende perna esquerda
Mantenha lombar apoiada no chão TODO o tempo
Retorne e alterne os lados
Dose: 3 séries × 8-10 repetições cada lado
Exercício 18: Apoio Unipodal (Single Leg Stance)
Como fazer:
Fique em pé apoiado em uma perna só
Mantenha joelho levemente flexionado
Olhe para um ponto fixo à frente
Progressão: feche os olhos
Progressão: adicione movimentos de braço
Dose: 3 séries × 30-60 segundos cada lado
Atividade Cardiovascular na Fase 2
Bicicleta ergométrica: 20-30 minutos, resistência leve-moderada, 3-4 vezes/semana
Elíptico: 15-20 minutos (se tolerado sem dor)
Natação: 20-30 minutos, 2-3 vezes/semana
Critérios para Avançar para Fase 3
✓ Força do quadril maior que 60% do lado não operado
✓ Ausência de dor com exercícios da Fase 2
✓ Consegue manter apoio unipodal estável por 30 segundos
✓ Boa mecânica corporal em mini-agachamento e step down
✓ Redução de pelo menos 50% na dor inicial
Fase 3: Fortalecimento Avançado e Treino Funcional {#fase-3}
Duração: Semanas 8-12
Frequência: 1-2 sessões supervisionadas/semana + 3-4 independentes
Objetivos da Fase 3
Atingir força equivalente a 80-90% do lado contralateral
Desenvolver resistência muscular para atividades prolongadas
Treinar movimentos específicos das atividades desejadas
Introduzir exercícios pliométricos leves (saltos)
Preparar para retorno às atividades recreacionais e esportivas
Princípios de Progressão na Fase 3
Carga: 75-85% de 1RM (repetição máxima)
Repetições: 8-10 por série
Objetivo: Hipertrofia e força
Progressão: Aumentar carga quando conseguir fazer 12 repetições confortavelmente
Exercícios da Fase 3 (Progressões e Adições)
Exercício 19: Agachamento até 90° (Controlled Squat)
Como fazer:
Pés na largura dos ombros
Agora pode descer até 90° de flexão dos joelhos
PROGREDIR GRADUALMENTE a profundidade ao longo das semanas
Monitorar sintomas constantemente
Se dor, reduzir amplitude
Dose: 3 séries × 8-12 repetições
Progressão: Adicionar peso (halteres, barra) quando tolerado
Exercício 20: Split Squat com Pé Elevado (Bulgarian Split Squat)
Como fazer:
Mesma posição do split squat
Coloque pé de trás elevado em banco ou degrau
Desça flexionando joelho da frente
Aumenta amplitude de flexão do quadril gradualmente
Pode adicionar halteres
Dose: 3 séries × 8-10 repetições cada lado
Exercício 21: Slider Hamstring Curl (Ponte com Deslize)
Como fazer:
Deite de costas, calcanhares sobre discos deslizantes (ou toalha em piso liso)
Eleve quadril em ponte
Deslize pés para longe estendendo joelhos
Puxe pés de volta flexionando joelhos
Mantenha quadril elevado o tempo todo
Dose: 3 séries × 8-12 repetições
Benefício: Treino de isquiotibiais em posição de extensão de quadril
Exercício 22: Subida de Degrau (Step Up)
Como fazer:
Use degrau/caixa de 20-30 cm de altura
Coloque um pé completamente no degrau
Suba empurrando com essa perna
NÃO impulsionar com perna de trás
Desça controladamente
Dose: 3 séries × 10-12 repetições cada lado
Progressão: Aumentar altura ou adicionar peso
Exercício 23: Afundos (Lunges) Multidirecionais
Como fazer:
Frontal: Passo grande à frente, descer, voltar
Lateral: Passo para o lado, agachar na perna que moveu
Reverso: Passo para trás, descer, voltar
Manter tronco ereto em todos
Dose: 3 séries × 8-10 repetições cada lado/direção
Exercício 24: Hip Thrust (Elevação de Quadril com Barra)
Como fazer:
Costas apoiadas em banco, barra sobre o quadril
Pés apoiados no chão
Eleve quadril até alinhar com joelhos e ombros
Contraia glúteos no topo
Desça controladamente
Dose: 3 séries × 10-12 repetições
Progressão: Aumentar carga na barra
Exercício 25: Agachamento Unipodal Parcial (Pistol Squat Progressão)
Como fazer:
Apoio em uma perna
Outra perna estendida à frente
Desça controladamente (profundidade limitada inicialmente)
Use apoio das mãos se necessário
Progressão MUITO gradual
Dose: 3 séries × 6-8 repetições cada lado
Alternativa mais fácil: Sentar e levantar de cadeira com uma perna
Exercício 26: Saltos no Lugar (Hop in Place)
Como fazer:
Começar com saltos bipodalicos (duas pernas)
Aterrissagem controlada, joelhos alinhados
Progressão: saltos unipodalicos
Foco na técnica de aterrissagem
Dose: 3 séries × 10 saltos
IMPORTANTE: Apenas iniciar se sem dor nos exercícios anteriores
Exercício 27: Escada de Agilidade (Agility Ladder)
Como fazer:
Use escada de agilidade no chão (ou fitas marcando espaços)
Diferentes padrões: dentro-fora, lateral, cruzado
Iniciar devagar, progredir velocidade
Dose: 5-8 séries × 20-30 segundos
Exercício 28: Apoio Unipodal em Superfície Instável
Como fazer:
Use BOSU, disco proprioceptivo ou almofada
Mantenha equilíbrio em uma perna
Adicione perturbações (alguém pode empurrar levemente)
Adicione movimentos de braço ou cabeça
Dose: 3 séries × 30-45 segundos cada lado
Atividade Cardiovascular na Fase 3
Corrida leve: Iniciar progressivamente se assintomático
Semana 1: Caminhada rápida + corrida leve alternadas (1 min corrida, 2 min caminhada) × 15 min
Semana 2: 2 min corrida, 2 min caminhada × 20 min
Semana 3-4: Aumentar proporção gradualmente
Bicicleta/Elíptico: 30-40 minutos, intensidade moderada
Natação: 30-40 minutos
Esportes recreacionais modificados: Iniciar gradualmente
Critérios para Avançar para Fase 4
✓ Força do quadril ≥ 80% do lado contralateral ✓ Ausência total de dor durante e 24h após exercícios ✓ Controle adequado em exercícios unipodais dinâmicos ✓ Capacidade de realizar atividades funcionais sem limitação ✓ Hop test (teste de salto unipodal) > 80% do lado contralateral
Fase 4: Retorno ao Esporte e Manutenção de Longo Prazo {#fase-4}
Duração: Semanas 12+
Frequência: 3-4 sessões independentes/semana, reavaliações mensais
Objetivos da Fase 4
Retornar com segurança às atividades esportivas/recreacionais desejadas
Manter ganhos de força e função alcançados
Prevenir recorrência de sintomas
Estabelecer programa de manutenção sustentável
Alcançar independência completa no gerenciamento da condição
Programa de Retorno Progressivo ao Esporte
Corrida - Protocolo de Progressão
Semana Protocolo Duração Frequência 1-2 Caminhada rápida + corrida leve (1:2) 15-20 min 3x/semana 3-4 Corrida leve contínua 15-20 min 3x/semana 5-6 Aumentar distância gradualmente 20-30 min 3-4x/semana 7-8 Adicionar variações de velocidade 30-40 min 3-4x/semana 9+ Treino normal do esporte Progressão livre Conforme esporte
REGRA DE OURO: Monitorar sintomas 24-48h após cada sessão. Se dor > 3/10, reduzir intensidade.
Mudanças de Direção e Agilidade
Semana 1-2: Cone drills em velocidade reduzida (50%)
Semana 3-4: Aumentar para 70% da velocidade
Semana 5-6: 85% da velocidade
Semana 7+: Velocidade máxima
Exercícios Específicos por Esporte
Futebol: Chutes, dribles, sprints curtos, mudanças de direção
Corrida: Progressão de distância, treinos intervalados
Tênis: Deslocamentos laterais, rotações, acelerações
Ciclismo: Progressão de carga e distância
Crossfit: Reintroduzir movimentos complexos gradualmente
Programa de Manutenção (Longo Prazo)
Rotina Semanal Mínima
2-3 sessões de fortalecimento: 40-50 minutos
Exercícios de glúteos e quadril
Exercícios de core
Exercícios de membros inferiores
Mobilidade diária: 10-15 minutos
Alongamentos
Mobilização do quadril
Foam rolling
Atividade cardiovascular: 3-4 sessões/semana
Conforme preferência e tolerância
Variar modalidades
Esporte/atividade recreacional: 2-4 sessões/semana
Conforme objetivos individuais
Critérios para Retorno TOTAL ao Esporte
Você está pronto para retorno completo quando atingir TODOS estes critérios:
✓ Força ≥ 90% do lado contralateral em todos os grupos musculares do quadril
✓ Amplitude de movimento completa e totalmente assintomática
✓ Ausência total de dor durante atividades esportivas específicas
✓ Hop test ≥ 90% do lado contralateral (teste de salto unipodal para distância)
✓ Single leg squat com mecânica perfeita e sem dor
✓ Y-Balance Test simétrico (diferença < 4cm entre lados)
✓ Capacidade de realizar exercícios específicos do esporte em velocidade máxima sem dor
✓ Confiança psicológica no membro (escala de 8-10/10)
✓ Aprovação do fisioterapeuta responsável
Sinais de Alerta para Reduzir Atividade
Reduza intensidade ou volume se apresentar:
⚠️ Dor durante exercício > 3/10
⚠️ Dor que persiste > 24h após exercício
⚠️ Dor matinal ou rigidez aumentadas
⚠️ Edema ou inchaço no quadril
⚠️ Sensação de travamento ou instabilidade
⚠️ Mudança no padrão de movimento
Lista Completa de Exercícios por Categoria {#exercicios-completos}
Exercícios de Ativação Glútea (Fase 1-2)
Ponte Glútea (Glute Bridge)
Concha (Clamshell)
Abdução de Quadril Deitado de Lado
Ponte Unipodal
Abdução em Pé com Faixa Elástica
Extensão de Quadril em Pé
Monster Walk
Exercícios de Core (Todas as Fases)
Inclinação Pélvica (Pelvic Tilt)
Bird Dog
Prancha Frontal (Front Plank)
Prancha Lateral (Side Plank)
Dead Bug (Inseto Morto)
Prancha com Movimentos de Membros
Pallof Press (avançado)
Exercícios em Cadeia Fechada (Fase 2-4)
Mini-Agachamento (Quarter Squat)
Split Squat (Agachamento Dividido)
Descida de Degrau (Step Down)
Agachamento até 90°
Bulgarian Split Squat
Subida de Degrau (Step Up)
Afundos (Lunges) - Frontal, Lateral, Reverso
Agachamento Unipodal
Exercícios de Isquiotibiais (Fase 2-4)
Slider Hamstring Curl
Hip Thrust
Romanian Deadlift (avançado)
Nordic Hamstring Curl (avançado)
Exercícios de Propriocepção/Equilíbrio (Fase 2-4)
Apoio Unipodal em Superfície Estável
Apoio Unipodal com Perturbações
Apoio Unipodal em Superfície Instável
Alcances Multidirecionais
Y-Balance Test
Rotações sobre Quadril (Pivot)
Exercícios Pliométricos (Fase 3-4)
Saltos no Lugar (Bipodal)
Saltos no Lugar (Unipodal)
Box Jumps (saltos em caixa)
Lateral Bounds (saltos laterais)
Escada de Agilidade
Alongamentos (Todas as Fases)
Alongamento de Flexores do Quadril
Alongamento de Isquiotibiais
Alongamento de Piriforme
Alongamento de Adutores
Alongamento de Quadríceps
Alongamento de Panturrilha
Quando Considerar Cirurgia (Artroscopia de Quadril)? {#quando-cirurgia}
Indicações para Reavaliação Cirúrgica
A cirurgia deve ser considerada quando:
✗ Falha do tratamento conservador após 3-6 meses de programa bem conduzido e aderido
✗ Dor persistente ou progressiva apesar da fisioterapia adequada
✗ Limitação funcional significativa que impacta qualidade de vida ou trabalho
✗ Sintomas mecânicos (travamento frequente, falseio, instabilidade)
✗ Lesão labral extensa confirmada em exame de imagem
✗ Evidência de progressão radiográfica ou na ressonância nuclear magnética da lesão articular
✗ Paciente jovem e ativo com demanda funcional alta e falha conservadora
O que Caracteriza "Falha do Tratamento Conservador"?
Para considerar falha, TODOS estes critérios devem estar presentes:
Duração adequada: Pelo menos 12-16 semanas de tratamento
Aderência comprovada: Comparecimento a sessões e realização dos exercícios em casa
Programa apropriado: Fisioterapia especializada seguindo protocolos baseados em evidência
Progressão tentada: Evolução através das fases conforme tolerado
Ausência de melhora: Menos de 30% de redução na dor ou melhora funcional mínima
Expectativas Realistas Sobre Cirurgia
A artroscopia de quadril pode ser muito efetiva, MAS:
Requer 4-6 meses de reabilitação pós-operatória intensa
Taxa de complicações: 5-10%
Necessidade de reoperação: 5-15% em 5 anos
Resultados melhores em pacientes sem osteoartrose avançada
Não garante retorno completo ao esporte em 100% dos casos
Vantagens do Tratamento Conservador Antes da Cirurgia
Mesmo que eventualmente precise de cirurgia, fazer fisioterapia antes oferece:
✓ Melhor força muscular pré-operatória
✓ Recuperação pós-operatória mais rápida
✓ Melhores resultados funcionais finais
✓ Menor tempo de reabilitação pós-cirúrgica
✓ Menor risco de complicações
✓ Alguns pacientes descobrem que não precisam de cirurgia (70-82%!)
Discussão com Cirurgião Ortopedista Especialista
Se tratamento conservador não está funcionando, procure cirurgião especialista em quadril para:
Reavaliação clínica e de imagem
Discussão de riscos e benefícios da cirurgia
Avaliação de adequação para procedimento artroscópico
Expectativas realistas sobre resultados
Planejamento pré-operatório se cirurgia for indicada
Evidências Científicas que Sustentam Este Protocolo {#evidencias}
Estudos Randomizados Controlados Principais
1. UK FASHIoN Trial (2019) - BMJ
Estudo: Palmer et al. - Maior ensaio clínico randomizado comparando artroscopia vs. fisioterapia personalizada
Participantes: 348 pacientes com IFA sintomático
Resultados:
Ambos os grupos melhoraram significativamente
Cirurgia levou a melhora MAIOR que fisioterapia
Diferença foi clinicamente significante mas AMBOS efetivos
Fisioterapia personalizada é opção válida de primeira linha
Referência: Palmer AJR, et al. BMJ. 2019;364:l185
2. Estudo de Mansell (2018) - American Journal of Sports Medicine
Estudo: Comparação artroscopia vs. fisioterapia em militares ativos
Participantes: 80 militares com IFA
Resultados:
Melhora em AMBOS os grupos em 2 anos
Sem diferença estatística entre grupos em 2 anos
Alta taxa de crossover (fisioterapia → cirurgia)
Referência: Mansell NS, et al. Am J Sports Med. 2018;46(6):1306-1314
3. PhysioFIRST Study (2018) - JOSPT
Estudo: Kemp et al. - Estudo piloto de fisioterapia específica para IFA
Participantes: 24 pacientes randomizados
Resultados:
Grupo com fisioterapia específica teve ganhos moderados a grandes
Melhoras em dor, função, qualidade de vida
Melhora na força de TODOS os grupos musculares do quadril
Melhora em resistência do tronco
Referência: Kemp JL, et al. J Orthop Sports Phys Ther. 2018;48(4):307-315
4. Estudo de Emara (2011) - Journal of Orthopaedic Surgery
Estudo: Tratamento conservador para IFA leve
Participantes: 37 pacientes atléticos com ângulo alfa < 60°
Resultados:
33 de 37 pacientes (89%) evitaram cirurgia
Harris Hip Score melhorou de 72 para 91
Apenas 4 pacientes (11%) necessitaram cirurgia
Seguimento de 25-28 meses
Referência: Emara K, et al. J Orthop Surg. 2011;19(1):41-5
5. Estudo de Pennock - Adolescentes
Estudo: Tratamento conservador em jovens atletas
Participantes: 76 adolescentes (93 quadris)
Resultados:
70% responderam ao tratamento conservador
12% adicionais responderam a injeção de corticoide
Taxa total de sucesso: 82%
Seguimento médio de 2 anos
Morfologias cam e mistas tiveram mais falhas
Conclusão: Tratamento conservador estruturado é efetivo em 82% dos casos
Meta-análises e Revisões Sistemáticas
Meta-análise de Hoit et al. (2020)
Estudo: 5 ensaios clínicos randomizados, 450 pacientes
Conclusão: Tratamento conservador é opção inicial efetiva para IFA
Referência: Hoit G, et al. Am J Sports Med. 2020;48(8):2042-2050
Revisão Sistemática sobre Fisioterapia (2019)
Achados: Fisioterapia revelou tamanhos de efeito moderados a grandes
Dor: SMD = 0,91 (grande efeito)
Função: SMD = 0,80 (grande efeito)
Ambos estatisticamente significantes
Conclusão: Intervenções conservadoras de curto prazo são efetivas
Scoping Review 2025 - Applied Sciences
Estudo: Revisão abrangente sobre reabilitação conservadora
Conclusões:
Reabilitação conservadora deve ser tratamento de primeira linha
Melhorias significativas em dor, função e qualidade de vida
Cirurgia oferece alívio mais rápido, mas diferenças de longo prazo são mínimas
Fisioterapia estruturada priorizada antes de considerar cirurgia
Referência: De Carli A, et al. Appl Sci. 2025;15(5):2821
Consensos Internacionais
ISHA 2019 - Consenso de Fisioterapia
Painel: 11 fisioterapeutas + 8 cirurgiões ortopedistas especialistas em quadril
Método: Técnica Delphi modificada
Tópicos de consenso:
Avaliação do quadril
Tratamento fisioterapêutico não-cirúrgico
Pré-habilitação antes da artroscopia
Reabilitação pós-operatória
Critérios de retorno ao esporte
Referência: Takla A, et al. J Hip Preserv Surg. 2021;7(4):631-642
Warwick Agreement 2016
Conclusão: Não existe evidência de alto nível para algoritmo de tratamento definitivo
Recomendação: Todos os pacientes devem ter tentativa de tratamento conservador antes da cirurgia
Referência: Griffin DR, et al. Br J Sports Med. 2016;50(19):1169-76
Resumo da Evidência
Desfecho Evidência Nível Eficácia da fisioterapia na dor Grande tamanho de efeito (SMD 0.91) Alta Eficácia da fisioterapia na função Grande tamanho de efeito (SMD 0.80) Alta Taxa de sucesso (evitar cirurgia) 70-82% dos pacientes Moderada Comparação com cirurgia (curto prazo) Cirurgia superior, mas ambos efetivos Alta Comparação com cirurgia (longo prazo) Diferenças mínimas em 2+ anos Moderada Recomendação como primeira linha Consenso internacional Alta
Todas as 25 Referências Bibliográficas
Palmer AJR, et al. BMJ. 2019;364:l185 (UK FASHIoN Trial)
Wall PD, et al. Br J Sports Med. 2016;50(19):1217-23 (Personalised Hip Therapy)
Takla A, et al. J Hip Preserv Surg. 2021;7(4):631-642 (ISHA 2019 Consensus)
Griffin DR, et al. Br J Sports Med. 2016;50(19):1169-76 (Warwick Agreement)
Mansell NS, et al. Am J Sports Med. 2018;46(6):1306-1314
Hoit G, et al. Am J Sports Med. 2020;48(8):2042-2050
Emara K, et al. J Orthop Surg. 2011;19(1):41-5
Kemp JL, et al. J Orthop Sports Phys Ther. 2018;48(4):307-315 (physioFIRST)
Schwabe MT, et al. Orthop J Sports Med. 2020;8(11):2325967120968490
Mahmoud SSS, et al. J Hip Preserv Surg. 2022;9(2):107-118
Gatz M, et al. Eur J Orthop Surg Traumatol. 2020;30(7):1151-1162
Zhu Y, et al. Sci Rep. 2024;14(1):20491
Diamond LE, et al. Br J Sports Med. 2015;49(4):230-42
Distefano LJ, et al. J Orthop Sports Phys Ther. 2009;39(7):532-540
Freke MD, et al. Br J Sports Med. 2016;50(19):1180-1186
Casartelli NC, et al. Br J Sports Med. 2016;50(9):511-2
Aoyama M, et al. Clin J Sport Med. 2019;29(4):267-275
Harris-Hayes M, et al. BMJ Open Sport Exerc Med. 2020;6(1):e000707
De Carli A, et al. Appl Sci. 2025;15(5):2821 (Scoping Review 2025)
Kim HT, et al. Clin Orthop Surg. 2024;16(4):589-599
Riedstra NS, et al. Bone Joint J. 2025;64(4):381-388
Pennock AT, et al. Arthroscopy. 2018;34(4):1145-1151
Bennell KL, et al. BMJ Open. 2017;7(6):e014658 (FAIR Trial)
Murphy NJ, et al. BMC Musculoskelet Disord. 2017;18(1) (Australian FASHIoN)
Wright AA, et al. Am J Sports Med. 2016;44(1):255-63
Perguntas Frequentes (FAQ) {#faq}
1. Quanto tempo leva para ver resultados com tratamento conservador?
A maioria dos pacientes começa a sentir melhora da dor em 4-6 semanas de tratamento adequado. Melhoras mais significativas na função e força geralmente ocorrem em 8-12 semanas. No entanto, o programa completo dura 12-16 semanas para resultados ótimos. Alguns pacientes podem necessitar mais tempo.
2. Posso fazer os exercícios sozinho ou preciso de fisioterapeuta?
É altamente recomendado começar com fisioterapeuta especializado, especialmente nas primeiras 4-8 semanas. O fisioterapeuta irá:
Avaliar sua condição específica
Ensinar técnica correta dos exercícios
Corrigir compensações
Progredir adequadamente o programa
Identificar quando você pode evoluir ou quando precisa modificar
Após aprender corretamente, você pode fazer grande parte dos exercícios em casa, mantendo reavaliações periódicas.
3. É normal sentir dor durante os exercícios?
Regra geral: Desconforto leve é aceitável (até 2-3/10 na escala de dor). Dor moderada a intensa (5/10 ou mais) indica que você precisa:
Reduzir a amplitude do movimento
Diminuir a carga/resistência
Reduzir o número de repetições
Modificar o exercício
Regra do "24 horas": Se a dor aumentar nas 24 horas seguintes ao exercício, você exagerou e precisa reduzir na próxima sessão.
4. Quantas vezes por semana preciso fazer os exercícios?
Mínimo recomendado:
Fase 1 (0-4 semanas): 2-3 sessões supervisionadas + exercícios diários em casa (2x/dia)
Fase 2 (4-8 semanas): 2 sessões supervisionadas + 3-4 sessões em casa
Fase 3 (8-12 semanas): 1-2 sessões supervisionadas + 3-4 independentes
Fase 4 (12+ semanas): 3-4 sessões independentes
Importante: Para ganhos de força, o fortalecimento deve ser feito no mínimo 2-3 dias por semana por pelo menos 3 meses.
5. Posso continuar praticando meu esporte durante o tratamento?
Depende do esporte e fase do tratamento:
Fase 1 (0-4 semanas): EVITAR esportes de impacto. Permitidos: natação, ciclismo leve, caminhada
Fase 2 (4-8 semanas): Pode começar atividades recreacionais leves e modificadas
Fase 3 (8-12 semanas): Progressão gradual para esportes, começando com intensidade reduzida
Fase 4 (12+ semanas): Retorno progressivo ao esporte completo se critérios atingidos
Regra de ouro: Se a atividade esportiva causa dor durante ou após (24h), você precisa modificar ou evitar temporariamente.
6. Qual a diferença entre IFA tipo CAM, PINCER e MISTO?
CAM: Deformidade no fêmur (cabeça do fêmur não é perfeitamente redonda). Mais comum em homens jovens e atletas.
PINCER: Excesso de cobertura do acetábulo (cavidade do quadril cobre demais a cabeça do fêmur). Mais comum em mulheres de meia-idade.
MISTO: Combinação de ambos (mais comum - 86% dos casos).
Para o tratamento conservador: O protocolo é similar para todos os tipos, com ajustes individuais baseados nos sintomas específicos de cada paciente.
7. Preciso fazer ressonância magnética antes de começar a fisioterapia?
Não necessariamente. O diagnóstico de IFA pode ser feito com:
História clínica
Exame físico (teste de FADIR, teste de FABER)
Radiografia simples do quadril
Ressonância é útil para:
Avaliar extensão de lesão labral
Avaliar cartilagem articular
Planejamento cirúrgico (se conservador falhar)
Decisão sobre ressonância deve ser feita pelo médico ortopedista. Você pode iniciar tratamento conservador enquanto aguarda ou após avaliação básica.
8. Se eu precisar de cirurgia depois, a fisioterapia terá sido "tempo perdido"?
Definitivamente NÃO! Estudos mostram que pacientes que fizeram fisioterapia antes da cirurgia têm:
✓ Recuperação pós-operatória MAIS RÁPIDA ✓ Melhores resultados funcionais FINAIS ✓ Menor tempo total de reabilitação ✓ Melhor força muscular pré-operatória (facilita pós-operatório) ✓ Menor risco de complicações
Além disso, você tem 70-82% de chance de NÃO precisar de cirurgia se fizer o tratamento conservador adequadamente!
9. Quanto custa o tratamento conservador comparado com cirurgia?
Tratamento conservador é MUITO mais econômico:
Fisioterapia: 12-20 sessões ao longo de 3-4 meses
Cirurgia: Procedimento cirúrgico + internação + fisioterapia pós-operatória (4-6 meses) + tempo de afastamento do trabalho
Além dos custos financeiros, considere:
Tratamento conservador: sem afastamento ou afastamento mínimo
Cirurgia: 2-4 semanas de afastamento + restrições por 3-6 meses
Riscos cirúrgicos e possíveis complicações
10. Posso fazer agachamento profundo se tenho IFA?
Durante o tratamento (Fases 1-2): NÃO. Agachamentos devem ser limitados a 60-90° de flexão do joelho.
Fase 3 em diante: Progressão GRADUAL da profundidade, monitorando sintomas.
Longo prazo: Alguns pacientes podem retornar a agachamentos profundos sem dor após conclusão do programa. Outros podem precisar sempre limitar a profundidade. Depende da morfologia individual do quadril e resposta ao tratamento.
Alternativas seguras: Split squats, box squats, step ups são excelentes substitutos que fortalecem igualmente sem exigir flexão extrema.
11. IFA pode virar artrose? O tratamento conservador previne isso?
IFA pode levar a osteoartrose precoce do quadril se não tratado, especialmente se houver lesão labral progressiva.
Tratamento conservador pode ajudar a:
Reduzir sobrecarga mecânica anormal no quadril
Melhorar biomecânica através de fortalecimento muscular
Modificar atividades que causam atrito excessivo
Potencialmente retardar progressão para artrose
Importante: Não há garantia de que tratamento (conservador OU cirúrgico) previna completamente artrose. Ambos visam melhorar sintomas e função, e POTENCIALMENTE retardar progressão.
12. Existe idade ideal para fazer tratamento conservador?
Tratamento conservador pode ser efetivo em todas as idades, mas alguns fatores influenciam:
Adolescentes: Excelentes resultados (82% de sucesso no estudo de Pennock). Geralmente recomendado antes da cirurgia.
Adultos jovens (20-40 anos): Grupo mais comum. Boa resposta ao tratamento conservador.
Acima de 50 anos: Pode ser efetivo, mas maior chance de já haver alterações degenerativas. Necessário avaliar grau de artrose.
Fatores mais importantes que idade:
Grau de osteoartrose presente
Motivação e adesão ao programa
Nível de atividade desejado
13. Quais exercícios devo SEMPRE evitar se tenho IFA?
Evitar permanentemente ou modificar:
❌ Agachamentos profundos (abaixo de 90°) - especialmente sumo squat ❌ Posição de lotus ou pernas cruzadas no chão ❌ Exercícios que combinam flexão profunda + rotação interna do quadril ❌ Movimentos balísticos ou bruscos em amplitude extrema
Modificar conforme tolerância:
⚠️ Corrida (pode ser feita, mas progredir gradualmente) ⚠️ Deadlifts (limitar flexão do quadril) ⚠️ Sentar prolongado (fazer pausas a cada 45-60 min)
Regra de ouro: Se um exercício causa dor > 3/10, ele precisa ser modificado ou evitado.
14. Como saber se estou progredindo bem no tratamento?
Sinais de progresso adequado:
✓ Redução gradual da dor (30% em 4 semanas, 50% em 8 semanas) ✓ Aumento da amplitude de movimento sem dor ✓ Capacidade de fazer exercícios progressivamente mais difíceis ✓ Aumento da força muscular (testada pelo fisioterapeuta) ✓ Melhora nas atividades diárias (subir escadas, sentar, levantar) ✓ Redução na frequência e intensidade dos episódios de dor ✓ Melhor qualidade de sono (menos dor noturna)
Use escalas:
EVA para dor (0-10): anotar semanalmente
iHOT-33 ou HOOS: preencher mensalmente
Diário de atividades: registrar o que consegue fazer
15. Tratamento conservador funciona se eu já tiver lesão labral?
Sim, pode funcionar! Muitos pacientes com lesão labral melhoram com tratamento conservador.
Fatores que indicam boa resposta: ✓ Lesão labral pequena a moderada ✓ Ausência de sintomas mecânicos (travamento) ✓ Lesão estável (não instabilidade articular) ✓ Sem fragmentos soltos na articulação
Quando lesão labral pode precisar cirurgia: ❌ Lesão extensa com falha conservadora ❌ Travamento frequente do quadril ❌ Fragmento labral solto ❌ Instabilidade articular ❌ Sintomas progressivos apesar de tratamento adequado
Conclusão: Vale a pena tentar conservador primeiro. Cerca de 70% dos pacientes com lesão labral associada ainda respondem bem.
Conclusão e Próximos Passos
Mensagens-Chave
✅ Tratamento conservador é efetivo em 70-82% dos casos de IFA ✅ Fortalecimento do quadril e core são componentes ESSENCIAIS ✅ Mínimo 12 semanas de programa estruturado para avaliar eficácia ✅ Progressão gradual é fundamental - não pular etapas ✅ Adesão ao programa determina o sucesso ✅ Mesmo se precisar cirurgia depois, a fisioterapia prévia melhora os resultados ✅ Modificação de atividades é tão importante quanto exercícios ✅ Acompanhamento profissional especializado otimiza resultados
Primeiros Passos
Consulte um médico ortopedista especialista em quadril para confirmar diagnóstico
Solicite avaliação com fisioterapeuta com experiência em quadril/IFA
Inicie modificações de atividades imediatamente (evitar posições provocativas)
Comece exercícios da Fase 1 sob orientação profissional
Estabeleça expectativas realistas: melhora é gradual, não imediata
Comprometa-se com o programa completo de 12-16 semanas
Lembre-se
O sucesso do tratamento conservador depende de:
Diagnóstico correto
Programa apropriado
Orientação profissional qualificada
Adesão consistente aos exercícios
Paciência e persistência
Modificações apropriadas de atividade
Monitoramento regular do progresso
Sobre Este Protocolo
Este protocolo foi desenvolvido com base nas melhores evidências científicas disponíveis até 2025, incluindo:
Ensaios clínicos randomizados de alta qualidade
Meta-análises e revisões sistemáticas
Consensos internacionais de especialistas (ISHA 2019, Warwick Agreement)
Protocolos validados (UK FASHIoN, PhysioFIRST, Personalised Hip Therapy)
Importante: Este protocolo é um guia geral. Cada paciente é único e pode necessitar ajustes individualizados. Sempre trabalhe com fisioterapeuta qualificado e mantenha comunicação com seu médico ortopedista.
Última Atualização: Janeiro 2026
Desenvolvido com base em: 25 referências científicas de alto nível