O que é mais importante escolher: a prótese de quadril ou o cirurgião de quadril?

A prótese ou o cirurgião?
Eis a questão...

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Essa pergunta é muito importante e exige reflexão. Muitos pacientes misturam um pouco essas duas questões. É importantíssimo a escolha do cirurgião, mas vale lembrar que não é só isso que importa para o resultado da cirurgia.

    Como sabemos, a prótese é uma ferramenta, e como tal, se for mal operada/utilizada não terá um desempenho satisfatório, mesmo que seja a melhor prótese do mundo.

    A termos de comparação, se entregarmos um carro de Fórmula 1 para uma pessoa comum, ela não conseguirá extrair o máximo de seu desempenho. Já se um campeão de Fórmula 1 guiar um carro de passeio comum, ele irá extrair o máximo do carro em termos de potência e de desempenho. Mas ainda assim, o resultado final seria muito aquém do desempenho de um verdadeiro carro de Fórmula 1.

    O mesmo vale para a questão de cirurgião x prótese. Se tivermos um cirurgião pouco experiente em questões de implante, ou mesmo pouco familiarizado com o tipo de prótese, teremos um resultado definitivamente prejudicado. Não importa quão boa seja a prótese, para um cirurgião que não tenha experiência com determinado tipo de cirurgia, pouco adiantará a prótese. Não teremos um bom desempenho.

    Ao passo que se você escolher um cirurgião competente e experiente, mas fornecer a ele uma prótese de má qualidade para a cirurgia, prepare-se para não obter um bom resultado. Isso não é suposição, não é uma mera hipótese. A experiência aponta para esse fato. (Os registros nacionais de artroplastia já demonstraram isso. Os estudos de implantes que falharam já demonstraram isso)

    Há tempos atrás, alguns cirurgiões procuraram desenvolver novos tipos de próteses, que na teoria pareciam perfeitas, mas que após fabricadas e aplicada, falharam de forma precoce. Existem muitos registros de nacionais de artroplastias que comprovam isso. Ou seja, não essas próteses não possuíam boa durabilidade. Não existe mágica. Aqui nesse link você pode conferir um exemplo recente onde um implante sofreu "recall" devido a problemas na qualidade

    Agora vamos falar do cenário ideal: se pegarmos uma prótese de alta qualidade e entregarmos a um bom cirurgião, que possua bastante experiência com próteses, ele conseguirá extrair a durabilidade máxima que esse implante pode oferecer. É o melhor dos dois mundos!

    Temos hoje alguns implantes que aparecem em publicações internacionais apontando sua durabilidade acima de 20 e 30 anos. Mas tão importante quanto escolhermos um desses implantes, é escolher também um médico com excelência em cirurgia. Tendo experiência específicamente com esses implantes, melhor ainda!

    Os implantes evoluíram tanto que não mais discutimos durabilidade em menos de 10 anos. Praticamente qualquer implante vai durar muito bem durante 5-10 anos, nem se discute mais esse período de tempo. Agora começamos a discutir a respeito de implantes que ultrapassem dos 30 anos de durabilidade.

    Mas e quando o plano de saúde não quer autorizar um implante de alta qualidade e acaba por indicar uma outra alternativa, o que fazer? Nessa hora, é importante indagar o auditor do plano de saúde e pedir que ele apresente publicações internacionais que apontem qual a durabilidade nos implantes indicados no período de 10, 20 e 30 anos. Chamamos isso de “medicina baseada em evidência”. Ou seja, tomar as decisões a partir da analise das melhores evidências disponíveis.

    É importante lembrar que nem sempre o implante com maior durabilidade é o mais caro. E mesmo que seja o mais caro, nunca será mais caro do que o preço de fazer uma nova cirurgia em menos de 10 anos. O que pode acontecer se tiver que fazer outra cirurgia? Quais os riscos para o paciente? Isso tudo tem que ser muito bem analisado.

    O mais prudente é garantir uma boa prótese para que se tente alcançar 30 anos de durabilidade, mirar nessa longa durabilidade. Através das pesquisas baseadas nos números de próteses realizadas em pessoas (estudos clínicos) e não apenas baseadas em testes de laboratórios. A prótese tem que funcionar bem no corpo do paciente. Qualquer implante dura mil anos na prateleira.

    Para concluir, entre o cirurgião e a prótese, escolhendo um bom cirurgião, você provavelmente estará escolhendo os dois. Até porque por via de regra, um bom cirurgião irá escolher uma boa prótese, que apresente durabilidade de longo prazo. Ele com certeza utilizará um material reconhecido internacionalmente. Claro que não custa nada confirmar isso, afinal de contas o quadril a ser substituído é o seu.